domingo, 13 de novembro de 2011

Redes pública e solidária do pré-escolar têm financiamento público mas preços diferentes

Na Reportagem Especial [...] vamos entrar no pré-escolar da rede pública e solidária em Portugal.
Na prática as duas redes funcionam com financiamento público, com comparticipações das famílias e nalguns casos, as duas redes do pré-escolar sobrepõem-se. As contas da reportagem da SIC indicam que a rede das Instituições Privadas de Solidariedade Social pode receber cerca de 130 euros a mais por criança, do que um aluno do pré-escolar público.
Nestes cálculos, a SIC teve em conta os financiamentos directos do Estado e das autarquias. O retrato do pré-escolar público e solidário foi feito no concelho de Oeiras mas pode ser o reflexo do que se passa no País.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ladrões de Bicicletas: A fraude pouco inocente dos rankings escolares

Ladrões de Bicicletas: A fraude pouco inocente dos rankings escolares:

SÁBADO, 15 DE OUTUBRO DE 2011
A fraude pouco inocente dos rankings escolares

Como já vem sendo costume, os jornais de fim-de-semana dão grande destaque aos rankings das escolas, construídos com base nos resultados dos exames nacionais. Tal como sucede todos os anos, os lugares de topo dos rakings são ocupados por escolas privadas.

Alguns jornalistas procuram sofisticar a interpretação dos resultados com base em argumentos que já deveriam ser do conhecimento de todos: os exames não são, nem devem ser, a bitola única de aferição do desempenho das escolas; as médias apuradas não têm em conta o facto de as escolas privadas concentrarem alunos oriundos de famílias de maiores posses e com maiores níveis médios de formação; os rankings não têm em conta o contexto socioeconómico das escolas assim avaliadas; etc.
No entanto, por muitos qualificativos (e não são muitos, na verdade) que sejam introduzidos nas análises, a mensagem central que resulta é sempre a mesma: as escolas privadas preparam melhor os alunos. Desta forma, este método de avaliação das escolas é uma fraude – e uma fraude perigosa.
É uma fraude porque corresponde às piores práticas de avaliação de políticas públicas. Se alguém nos disser que as políticas públicas de apoio às empresas são um sucesso porque as empresas apoiadas são aquelas que têm melhor desempenho competitivo (criam mais valor, criam mais emprego, sobrevivem mais, etc.) devemos perguntar se os apoios não foram dirigidos para as empresas que tinham, à partida, melhores condições competitivas (e.g., uma situação financeira mais sólida). Da mesma forma, se alguém afirmar que os apoios públicos a estágios para recém-licenciados são um sucesso porque os estagiários encontram emprego ao fim de pouco tempo, devemos perguntar-nos se os estágios não estão a ser dirigidos para indivíduos cujas licenciaturas de base garantem à partida maior empregabilidade. Na teoria Estatística, chama-se a isto ter em conta o ‘efeito de selecção da amostra’ – se quem é apoiado tem, à partida, maior probabilidade de ter melhor desempenho não devemos atribuir o bom desempenho ao apoio concedido.
Eu defendo que a avaliação das políticas deve ser feita com esse rigor, evitando que os recursos públicos sejam utilizados ao sabor dos interesses particulares e das preocupações eleitorais dos governantes. É exactamente por isso que gostaria que em Portugal se avaliasse o desempenho das escolas públicas e privadas – e que essa avaliação tivesse as mesmas preocupações metodológicas que se impõe no caso da avaliação das políticas de apoio às empresas ou à transição para a vida activa. As preocupações que estão presentes nas melhores práticas internacionais, como as que são descritas no Livro Verde que serve de base à avaliação de políticas no Reino Unido, ou nas avaliações conduzidas pelo Government Accountability Office que funciona junto do Congresso Federal dos EUA.
Em termos práticos isto significaria começar por analisar as classificações dos alunos nos exames nacionais tendo em consideração variáveis que afectam o seu desempenho (background educativo e socioeconómico dos pais, condições de estudo em casa, acesso a bens culturais no meio envolvente, organização das escolas, constituição das turmas, etc.). Numa segunda fase, importaria analisar, com base em análises estatísticas robustas, porque motivo algumas escolas públicas têm um desempenho melhor do que as outras. Finalmente, este tipo de análise contribuiria para ajudar a perceber em que medida é possível introduzir melhorias no sistema público de educação.
Por contraste, os rankings nada contribuem para o debate necessário sobre a Escola Pública em Portugal. Com base nestes rankings ficamos sem saber se as escolas públicas cumprem melhor o seu serviço do que as privadas (será que alunos com as mesmas condições de base têm desempenhos distintos nos dois sistemas de ensino?). Ficamos ainda sem saber o que determina o bom desempenho das escolas públicas que se encontram no topo dos rankings (é a organização da escola? é a qualidade dos professores? é a constituição das turmas? é a envolvente local? é a mera concentração geográfica de alunos oriundos de famílias mais favorecidas?). Também fica por esclarecer se as escolas públicas bem ou mal classificadas cumprem devidamente as suas funções gerais, que vão muito além dos resultados dos exames (por exemplo, contribuem para evitar o flagelo nacional que é o abandono escolar precoce? ajudam a sinalizar situações de maus tratos sobre menores? de forma geral, favorecem a mobilidade social em Portugal?).

E, no entanto, todos os anos a fraude que são os rankings ganha visibilidade e influência. E, com isto, as escolas privadas ganham clientes (mesmo que não os mereçam) e subsídios do Estado; parte da classe média desiste da escola pública, iludida por esta publicidade enganosa (favorecendo a desqualificação do sistema público); e as escolas públicas lutam pela sobrevivência fazendo dos exames nacionais o fim último da sua existência. E, face a isto, ainda há quem continue a acreditar que os rankings das escolas prestam um bom serviço ao país.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Educar em Português: Manuel António Pina sobre Nuno Crato

Educar em Português: Manuel António Pina sobre Nuno Crato:

No JN do passado dia 31 « O “essencial” e é um pau
A afirmação do actual ministro da Educação de que o “princípio geral” que presidirá à “sua” reforma curricular do ensino básico e secundário é o de que “é necessário concentrar nas disciplinas essenciais” constitui todo um programa ideológico.
Deixando de lado o obsessão de todo o bicho-careta que chega a ministro da Educação em Portugal em “reformar” mais uma vez os curricula escolares, tornando o ensino num laboratório de experiências educativas e os alunos em cobaias que se usam e deitam fora na próxima “reforma”, tudo com os resultados que se conhecem, a opção por um ensino público limitado a “disciplinas essenciais” segue fielmente a rota ideológica do “saber ler, escrever e contar” de Salazar.
Falta apurar o que o ministro entenderá por “essencial”, mas outras medidas que tem tomado, como triplicar o valor dos cortes na Educação pública previsto no acordo com a “troika” enquanto financiava generosamente os colégios privados, levam a crer que o programa de empobrecimento anunciado por Passos Coelho é mais vasto do que parece. E que, além do empobrecimento económico das classes médias e mais desfavorecidas, está simultaneamente em curso o seu empobrecimento educativo.
Para a imensa maioria que não tem meios para pôr os filhos em colégios privados (que, no entanto, financia com os seus impostos), o “essencial” basta. Mão-de-obra menos instruída é mão-de-obra mais barata. E menos problemática.»

domingo, 30 de outubro de 2011

Entrevista do Público com Nuno Crato

Em entrevista ao PÚBLICO, que será publicada amanhã, segunda-feira, o MEC, Nuno Crato, revela que as duas medidas principais que estão a ser estudadas, no âmbito da reforma curricular do ensino básico e secundário, são a supressão da disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no 9.º ano e a divisão de Educação Visual e Tecnológica em duas componentes separadas no 2.º ciclo.

Pergunto eu: Porque foi contra o fim do par pedagógico de EVT há menos de seis meses? O que o fez mudar de ideias?
O MEC é responsável por os sacrifícios na Educação serem brutais a partir de 2012. Se não tivesse impedido a concretização de algumas medidas que agora vai ser obrigado a tomar, os esforço estaria a ser já efectuado em 2011/2012, permitindo um ajustamento mais suave e igualmente eficaz. Ainda o vamos ver a concretizar todas as medidas propostas pelo anterior governo como a fusão de agrupamentos, o encerramento de escolas (consta que não são apenas as com menos de 21 alunos), além do proposto para EVT.
Era bom que explicasse a decisão de aumentar o valor atribuído por turma nos contratos de associação e a contextualizasse no âmbito das restrições que impõe ao ensino público.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mudanças a caminho?

http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/pais-vao-poder-escolher-a-escola-basica-dos-filhos-em-2012_1357.html#page=17

Em teoria parece ser uma boa solução. Vamos ver como sai a regulamentação e depois a prática.
É que tal como o modelo de avaliação dos professores, chegou-se a um acordo, mas, a partir daí, nada mais se sabe. Porque será?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

As suas escolhas (FVS in CM)

Caro leitor, permita-me que lhe pergunte: esta manhã, foi sua a escolha da roupa que traz vestida? E o pequeno-almoço – leite, chá ou café, torradas ou pão fresco – foi decisão sua? E o meio de transporte que o trouxe ao trabalho, foi você que escolheu? Até o jornal – vejo que optou pelo ‘CM’ – a escolha foi sua, não?

E se lhe perguntar sobre escolhas mais determinantes. Por exemplo, a escolha do carro, foi sua? Provavelmente pediu referências, não? Consultou os catálogos, comparou preços, discutiu o assunto em família, chegaram a um consenso, mas a escolha foi sua, correcto? E a casa? Não sei se gosta da sua casa, se é grande ou pequena, se está a precisar de obras, se a vizinhança é barulhenta, de facto, nem sequer sei onde mora, mas aposto que foi você que escolheu a sua casa, ou estou enganado?
E já agora, a escola, foi você que escolheu a escola dos seus filhos? Não?! Não acha estranho? Escolhemos mala e sapatos a condizer, escolhemos o quiosque onde compramos o jornal, escolhemos o carro e a casa, mas a escola, há outros que escolhem por nós. Porque será?

Francisco Vieira e Sousa, in Correio da Manhã

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ministério cancelou prémios de 500 euros a dias de entregá-los aos melhores alunos do país

O prémio de mérito no valor de 500 euros, que distingue os melhores alunos dos vários cursos do ensino secundário de cada uma das escolas do país, foi suspenso pelo actual Governo.
A notícia apanhou ontem de surpresa todos os directores das escolas das regiões Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, que já tinham comunicado aos vencedores que depois de amanhã, no "Dia do Diploma", receberiam o cheque, numa cerimónia aberta às comunidades. Representantes dos directores e dos pais dizem-se "chocados" e classificam a medida como "frustrante e desmotivadora" para os alunos.
Os representantes das duas associações de directores de escolas foram ontem apanhados de surpresa pelo fim do prémio criado em 2008 por de Maria de Lurdes Rodrigues, mas também pela forma como a notícia foi comunicada, e até pelo seu teor, diferente consoante a zona do país.
A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) limitou-se a colocar a informação na sua página da Internet. As direcções das escolas de Lisboa e Vale do Tejo já receberam a notícia, também ontem, por correio electrónico. Às escolas do Centro, a informação chegou mais cedo, a 14 de Setembro, por e-mail, mas não coincide com aquela que receberam os colegas do Norte e de Lisboa.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Liberdade e Política Pública de Educação

O Prof. Joaquim Azevedo apresenta a obra "Liberdade e Política Pública de Educação - Ensaio sobre um novo compromisso social pela Educação" no Porto e em Lisboa, nos dias 29 e 30 de Setembro.


Quem se interessa pela educação, não deverá deixar de estar presente.

sábado, 24 de setembro de 2011

Entrevista da Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário

Entrevista o Correio da Manhã à Dr.ª Isabel Leite, realizada em 22 de Setembro
Pré-escolar, 1º CEB, peso de 25 % dos exames no 6º ano, acordo ortográfico, fim da contabilização da nota de Educação Física para a média final do Secundário, ...
A versão mais completa pode ser lida em no Correio da Manhã online.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Li há dias esta noticia no Público:

"A um mês do início das aulas, há alunos que ainda desconhecem onde vão estudar. Os responsáveis das escolas apontam o dedo à divulgação de rankings que fizeram com que as preferências dos pais recaíssem em apenas alguns estabelecimentos."


Segundo esta notícia e, em grande medida o senso comum, os pais procuram para os seus filhos as escolas que têm melhor padrão de desempenho passado, o que é aferido pelorankings das notas de exames.
Faz sentido? Faz, na medida em que esse é o único critério - para além da zona onde a escola está inserida- que é visivel e factual e, portanto, um bom preditor do sucesso escolar.

Mas será esse o único critério relevante ou, por outras palavras, um critério universal? Será que todos os pais procuram, exclusivamente, sem olhar a nada mais, a excelência académica?
Então e a oferta de valências na área das artes ou do ensino articulado da música, por exemplo? E a assiduidade dos professores? E os valores que a escola promove e pelos quais é reconhecida? E a capacidade de levar alunos mais fracos ao máximo do seu potencial? E como está a performance da escola em termos de liderança? E é uma escola que tenha vindo a melhorar ao longo do tempo ou, pelo contrário, estagnou no seu processo?

Fará este ano 11 anos que, por "pressão" dos media, começou a ser divulgada pelo Ministério da Educação (ME) uma base de dados com os resultados dos exames nacionais, primeiro para Ensino Secundário e, desde 2005, também para o Básico. A partir dessa base de dados, a comunicação social - em parceria com Universidades, ou outras entidades - elabora e publica listas de seriação de escolas, designadas comummente por "rankings".
Estes "rankings", sendo uma fonte importante de informação, são também polémicos, na medida em que apresentam uma visão estreita, que, fundamentalmente, compara o que não é comparável, deixando por responder muitas das perguntas acima enunciadas.

Este ano, o ME pode fazer diferente. Pode, por exemplo, incluir um indicador compósito que reflicta o valor acrescentado de cada escola*, para além dos dados relativos a exames dos alunos, também:
  • a percentagem de alunos que foi submetida a exame no termo dos três anos previstos para a conclusão dos cursos, aferindo a taxa de eficácia e o rendimento escolar;
  • um indicador sobre a proveniência socioeconómica e cultural maioritária dos alunos de cada escola;
  • o resultado decorrente da Avaliação Externa de Escolas.
Um dia, para breve, gostaria de ver por cá qualquer coisa como esta que encontramos nos E.U.A: www.greatschools.org/.
Um site de transparência de informação em que os pais podem saber muito, factual e evolutivamente, sobre as escolas da sua área de residência.

*Estas ideias não são - só- minhas. São defendidas por pessoas de grande valor deste sector como seja o Professor Joaquim de Azevedo (Universidade Católica Portuguesa).

NOTA: Também publicado em www.senatus.blogs.sapo.pt


terça-feira, 26 de julho de 2011

Educação: Ribeiro e Castro destaca afirmação internacional da empresa criadora dos "Magalhães"

Porto, 25 jul (Lusa) -- O presidente da Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, José Ribeiro e Castro, destacou hoje a capacidade exportadora e de afirmação internacional da empresa JP Sá Couto, fabricante dos portáteis Magalhães.
O também deputado do CDS/PP pelo distrito do Porto admitiu que os "Magalhães" são um projecto interessante, mas vincou que qualquer decisão relativamente à continuidade da sua distribuição nas escolas nacionais caberá ao Governo.
"Creio que é um projecto que tem interesse, que tem gerado debate a nível nacional. Creio que é um projecto que prosseguirá, temos também que ver quais são as capacidades orçamentais. E que é, também, um modelo de referência que ajudou a afirmação internacional deste tipo de produtos", afirmou Ribeiro e Castro, em declarações à Lusa.

Ler mais: http://aeiou.visao.pt/educacao-ribeiro-e-castro-destaca-afirmacao-internacional-da-empresa-criadora-dos-magalhaes=f614645#ixzz1TAlAuvJw

Coerência e eloquência... "Bem prega Frei Tomás..."

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Insucesso: prevenção, remediação, avaliação.

É este o título de uma notícia do ionline de hoje, a propósito dos planos de recuperação instituídos no Estatuto de Aluno, para os casos de alunos com excesso de faltas injustificadas.

Várias coisas se me oferecem dizer sobre o conteúdo do dito artigo e a matéria de que trata:
  1. O texto sugere que, muito mais eficazes, são as medidas de prevenção. Claro. Como não concordar? Mas, como há que dar resposta a todos os alunos que andam pela escola, há também que pensar em estratégias de remediação para aqueles que já têm o problema.
  2. Segundo o artigo, esta estratégia não resultou. Não resultou em absoluto? Não resultou vs quais medidas alternativas? Não resultou em todos os contextos? É um problema de custo-benefício?...
  3. E que outras possibilidades haveria para lidar com este problema? Porque, para além daquela que o i aborda -"O que a lei diz é que é preciso esperar que o aluno tenha 15 anos e o 6.o ano completo para poder seguir a via profissional. Até lá, o aluno fica na escola, a repetir os anos e a ganhar aversão às aulas.", e que eu subscrevo, constando aliás do Programa do CDS - há uma outra, bem mais relevante que é a autonomia da escola. Porque, há escolas em que estas medidas podem funcionar e outras em que não e não deveria ser feita "tábua rasa"...
  4. O que nos trás à Avaliação. Está em curso uma avaliação desta medida que (que, espero, se conclua, e seja quantitativa e pública). Escolher algumas escolas e fazer uma leitura impressionista, procurando extrapolar uma globalidade de resultados é, a meu ver, uma prática má e misleading.
Portanto eu, que até conheço esta realidade e, confesso aqui, nem sou fã desta medida, fico "desinformada". É que deitar abaixo é sempre fácil. Sobretudo sem apresentar dados objectivos, comparações com o passado e, sobretudo, sugestões de melhoria.
Confesso-me farta desta atitude em que está tudo mal, mas há pouco esforço, rigor e criatividade para fazer as coisas resultar bem. Embora me pareça que seja justamente este o produto do sistema de educação que tanto criticamos.

(Também publicado em http://senatu.blogspot.com/)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O desafio do futuro

Confesso que tenho grandes expectativas para estes tempos, fundadas sobretudo na premência do que vivemos: (i) uma crise que é fundamentalmente nossa, embora agudizada por uma outra internacional, (ii) um novo governo de maioria (embora de coligação), um Presidente da República apoiado por essa mesma maioria e um compromisso programático assinado pelo, agora, maior partido da oposição e (iii) uma impossibilidade de continuar a viver com o mesmo modelo de até aqui.

Com este espírito, estive a ler o Programa do XIX Governo Constitucional, ontem apresentado.

Sem surpresa, de forma automática, os meus olhos correram para o capítulo "O Desafio do Futuro", que trata o tema da Educação.

Naturalmente que, tendo em conta que este documento reflecte as visões que já conheço do PSD e do CDS, não encontrei nada de muito novo. Mas há várias medidas que mereceram o meu entusiasmo:
  • pareceu-me muito sensata a ideia de "criar consensos alargados sobre o plano estratégico de desenvolvimento [da Educação] tendo como horizonte temporal 2030",
  • gostei de ver empenho na "criação de um sistema nacional de indicadores de avaliação" - para substituir o simplismo misleading dos rankings;
  • encontrei com agrado uma abertura ao mundo empresarial, assumindo que "as empresasdevem ser incentivadas a apoiar os perfis profissionais" e até, como parte interessada, co-finaciar uma rede de ensino profissional.
Há depois uma categoria dos "suspeitos do costume" que, muito embora tópicos fundamentais, não foram, recorrentemente, enfrentados, dos quais é exemplo maior a autonomia das escolas.

Por outro lado, ficou de fora um tema que, na minha opinião, é da maior importância, que é o relativo à capacitação, responsabilização e avaliação das lideranças escolares. É que para o sucesso de muitas das medidas, será fundamental contar com os directores das escolas.

No global, este documento é ainda, e necessariamente, muito macroscópico. A definição de prioridades e nuances, o calendário de execução e a orçamentação destas medidas serão críticas para percebermos o que efectivamente teremos pela frente. Assim como a capacidade de aprender com o passado pugnando pela transparência de informação e o envolvimento de todos os stakeholders.

De fundo, desejo que este "desafio de futuro" não se transforme - como noutras ocasiões- num desafio para um futuro que, por ser tão difícil e remoto, nunca chega a acontecer.

(também publicado em www.senatu.blogspot.com)

Programa do Governo para a Educação - Desafio do Futuro

Fica aqui o capítulo do Programa do Governo dedicado ao sector da Educação - O Desafio do Futuro.
Os comentários seguem dentro de momentos, depois de leitura atenta.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Perfis dos Secretários de Estado da Educação não Superior

Secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar
João Casanova de Almeida, 54 anos, é especialista em educação. Foi chefe de gabinete da secretária de Estado da Educação, Mariana Torres Cascais, do anterior governo de coligação PSD/CDS, e é desde Outubro de 2009 chefe de gabinete do grupo parlamentar democrata-cristão.
Começou por ser professor do ensino secundário, foi formador de professores, professor universitário e é autor de livros sobre política educativa. É membro da comissão política nacional do CDS.
 
Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário
Isabel Maria Santos Silva é professora auxiliar no departamento de Psicologia da Universidade de Évora, sendo doutorada em Psicologia, pela mesma universidade, sobre os processos cognitivos e conhecimentos envolvidos nas etapas iniciais da aprendizagem da leitura.
Desde 2009 integra o grupo de trabalho responsável pelo estudo psicolinguístico para “Estabelecimento de níveis de referência na aprendizagem da leitura e da escrita do 1.º ao 6.º ano de escolaridade”, realizado no âmbito do programa de acompanhamento e de monitorização do Plano Nacional de Leitura.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Walk the Talk

Muito já se disse sobre o elenco deste novo governo. Como sempre, tenho um bias que me leva a olhar com mais interesse para o que acontece na Educação.

O novo Ministro da Educação será o Prof. Nuno Crato que, ao longo dos anos, tem vindo a reflectir e partilhar o seu pensamento sobre a Educação em Portugal.
Para mim tem três grandes características:
1- Não fala de tudo, mas do que sabe e do que pensa ser capaz de acrescentar valor. É sinal de seriedade e consistência, embora agora lhe vá ser exigida maior abrangência;
2- Tem um horizonte largo, tendo experimentado outros sistemas de ensino e não estando preso à forma como sempre se fizeram as coisas.
3-É uma voz muito crítica do nosso actual sistema, propondo caminhos disruptivos em muitas, muitas frentes. Espera-se que tenha estado atento ao que se passou com a Drª Maria de Lurdes Rodrigues e a sua ânsia de ir a todas as frentes, ao mesmo tempo e em full speed...

Para a "nossa" Educação esta é uma oportunidade favorável a uma mudança urgente.
Para o Nuno Crato, "este é o momento". É o momento de walk the talk.



domingo, 19 de junho de 2011

O novo Ministro da Educação e as suas ideias expressas no fórum Portugal de Verdade

Nuno Crato apresenta as suas ideias sobre o estado da Educação e as cinco medidas a adoptar no (pelo) futuro Ministério (Ministro) da Educação:
  1. Extinguir o GAVE e criar um gabinete de avaliação independente
  2. Avaliação dos professores, tendo por base os resultados dos alunos
  3. Valorizar os professores
  4. Exame de entrada na profissão docente
  5. Novo Ministério da Educação com funções apenas de gestão do parque escolar, de negociação salarial, encomenda de exames, traçar metas e avaliação dos resultados.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Contratos de Associação - Liberdade de Escolha para todos?

Em Torres Vedras há um grupo superiormente liderado e muito bem organizado. Ou talvez não. Talvez apenas superiormente liderado e muito bem manipulado. E porquê? Porque conseguiu muito bem fazer passar uma mensagem FALSA, à custa de alunos, pais e mesmo professores sem qualquer pejo. Em nome, teoricamente, do princípio da Liberdade de Escolha. Teoricamente, porque a prática não corresponde.
O que se passa é que há um colégio com um contrato de associação - o Externato de Penafirme. Contrato necessário, sem qualquer dúvida, para garantir a escolaridade obrigatória a alunos de uma zona, que não tem uma escola pública como oferta. Até aqui tudo bem.
Só que o Estado não quis e não quer terminar com este contrato, uma vez que se mantém a necessidade do mesmo. Não tem planos para construir nenhuma escola pública na mesma zona.
Porquê então a sanha? Apenas pelo corte progressivo, faseado no financiamento? Não se passou o mesmo na Escola Pública? Até não. Aí o corte foi radical e inapelável.
Mas voltemos à zona de Torres Vedras e ao princípio sacrossanto da Liberdade de Educação. Na mesma área de influência existe uma outra escola privada - a Escola Internacional de Torres Vedras. Distam uma da outra cerca de 10 km. Mas esta outra escola deve ter um qualquer handicap. Não vi, não vejo qualquer palavra ou movimento de defesa da Liberdade de Escolha relativamente a esta escola. Porque também ela pode oferecer o Serviço Público de Educação e beneficiar do contrato de associação.
Parece que não pode ser. Isto está reservado apenas para alguns. Porque será?
Fico a aguardar que me esclareçam ou que me mostrem que o conteúdo supra não está correcto.

O que fica a seguir é demonstrativo da capacidade de mobilização ou de manipulação (e da capacidade financeira). Para mim, é apenas lamentável.


Não é inédito no Oeste - quem não se lembra de Feliciano Barreiras Duarte. A estratégia é a mesma, o resultado deverá ser semelhante. Em nome de quê? Valores? Quais?

Viva a Liberdade de Escolha - Tout court

Ora aqui está a melhor forma de avaliar a qualidade: a escolha dos pais. Pobres crianças!
A segurança social, "em vez de andar atrás dos bandidos, fica por aqui". Ainda por cima, tem o profundo descaramento de terminar com o empreendedorismo de uma empresária portuguesa de sucesso! Pela segunda vez!!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O estado da educação

http://cachimbodemagritte.com/3051396.html

http://notaslivres.blogspot.com/2011/05/ps-uma-escola-so-para-si-e-outra-escola.html

sábado, 14 de maio de 2011

Pés de barro

Propaganda e mais propaganda...

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/ensino/escolas-sem-net-para-concursos

terça-feira, 26 de abril de 2011

Mais Sociedade

Depois do evento ocorrido no Porto em 2 de Abril sob o tema de enquadramento “Uma Visão para Portugal”, A Iniciativa Mais Sociedade está a organizar um grande evento final aberto à sociedade civil e à participação de todos os cidadãos que se realizará nos dias 29 e 30 de Abril. [...]

UMA PROPOSTA PARA PORTUGAL
6ª-Feira, dia 29 (9h30 às 19h00) e Sábado, dia 30 (9h30 às 13h00)

• Uma Sociedade mais Próspera: o papel do Estado
• Uma sociedade com mais igualdade e mais solidária: a saúde e a Segurança Social
• Uma sociedade com mais igualdade e mais solidária: a educação
• Uma Sociedade com uma cultura renovada: identidade e património; As actividades intelectuais e artísticas
• Uma sociedade mais Sustentável: a gestão dos recursos e a ordenação do território
• Uma Sociedade com melhor Justiça: o processo legislativo, a quali ficação da justiça e a cultura jurídica
• Uma Sociedade mais segura: segurança e qualidade de vida, desaf ios da defesa nacional
• Uma Sociedade mais Próspera: o enquadramento à actividade económica; A inovação e a competitividade
• Uma Sociedade mais aberta e cosmopolita I: Portugal e a Europa
• Uma Sociedade mais aberta e cosmopolita II: a contribuição de um Portugal mais europeu para uma Europa mais cosmopolita
• Uma Sociedade mais democrática: a participação cívica; os partidos; o reforço do papel das instituições

No caso de "Uma sociedade com mais igualdade e mais solidária: a educação", chamo a atenção para um dos oradores: Francisco Vieira e Sousa (elemento do painel deste blog).
O tema da Educação será tratado no dia 29 de Abril entre as 15:00 e as 16:45 na sala 1 do Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL, na Junqueira).
As inscrições são efectuadas na página www.maissociedade.com/agenda

Notas:
1. Mais Sociedade é uma iniciativa da Sociedade Civil que tem como objectivo promover uma discussão aberta sobre o Futuro de Portugal. Começou com um desafio do presidente do PSD.
2. O PSD comprometeu-se a financiar e a dar apoio logístico e operacional à iniciativa, mas respeitando a independência da organização no que respeita à selecção de áreas temáticas, convites a participantes, e agendamento das sessões de trabalho.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Início ....

Começo hoje, dia 25 de Abril, a minha modesta contribuição neste espaço de troca de ideias sobre Educação. É importante para mim, fazê-lo nesta data tão significativa para Portugal para a Educação portuguesa.
Faço-o com muito prazer, correspondendo a um amável convite do meu amigo Filipe. Trabalhámos juntos, há uns anos atrás numa escola de Setúbal, partilhámos ideias, projectos e uma vontade enorme de conseguirmos contribuir para uma escola melhor.
Pensar hoje, trinta e sete anos passados sobre o 25 de Abril, sobre o que mudou nas escolas portuguesas, o que se alcançou e o que ficou para trás é um imperativo nacional, um balanço que urge fazer rapidamente. Conseguiu-se, ao longo destes anos, alargar a rede escolar, aumentar o número de alunos, diminuir o abandono e o analfabetismo, trabalhámos todos para construir uma escola democrática , um espaço de cidadania, de reflexão e de troca de ideias, fomos inovadores nas nossas práticas. E apesar dos tempos dificieis que a escola portuguesa vive actualmente, devemos orgulhar-nos de termos conseguido construir uma escola da Liberdade e da inclusão. Foi uma longa e dura caminhada que todos fizemos neste longo precurso com muitos desvios que tem sido a história e o caminho da educação em Portugal desde o 25 de Abril.

sábado, 23 de abril de 2011

Relatório de progressos Educação e Formação da UE 2010/2011

O relatório divulgado em 19/04 pela Comissão Europeia revela assinaláveis progressos realizados por Portugal em matéria de educação e formação. A constância do progresso em vários indicadores é apontada no relatório como o resultado das políticas educativas lançadas nos últimos anos. Neste quadro, é de realçar o investimento na melhoria das competências básicas dos alunos em língua portuguesa, ciências e matemática, a Iniciativa Novas Oportunidades, a expansão e diversificação das vias profissionais, a implementação do Plano Nacional de Leitura e do Plano Tecnológico da Educação.

Abandono Escolar (Indicador referente aos jovens entre os 18 e 24 anos que não completaram o ensino secundário e não estão a estudar)
Portugal regista uma notável melhoria neste indicador, reduzindo 8 pontos percentuais nos últimos 5 anos (2004-2009). O relatório prevê ainda que o decréscimo se aprofunde como resultado das políticas educativas adoptadas nos últimos anos. Com efeito, a taxa de abandono escolar em 2010 decresceu 2,5 pontos percentuais, situando-se agora nos 28,7%, facto que confirma a tendência apontada no relatório.

Ensino Secundário
Portugal apresenta igualmente um progresso notável no que respeita à conclusão do ensino secundário. A percentagem de jovens dos 20 aos 24 anos que completou o ensino secundário subiu 10 pontos nos últimos 10 anos.

PISA – Competências dos alunos nos domínios da leitura, matemática e ciências
Leitura
Portugal foi um dos três países que mais progrediu, entre 2000 e 2009, no domínio da leitura. Além dos progressos nos resultados de nível médio e elevado, a percentagem dos alunos que registaram fracos resultados regrediu 33,1%.
Matemática
Em Portugal registou-se um forte progresso, tendo sido um dos países que contribuiu para a melhoria dos resultados globais da UE. Em Portugal houve um decréscimo dos baixos resultados (-7 pontos percentuais), contrariando de forma positiva os resultados registados na maior parte dos países da UE.
Ciências
Portugal é destacado no relatório como um dos países que mais reduziu a percentagem dos alunos com fraco desempenho (redução de 8 pontos percentuais). Também nas competências em TIC, Portugal é referido como um dos países que mais progrediu.

Para mais informações, consultar:
http://ec.europa.eu/education/news/news2900_en.htm

Fonte: ME

quinta-feira, 21 de abril de 2011

14,5 milhões de euros!!!

... a empresa responsável pela requalificação garante gastar uma média de 14,5 milhões de euros em cada escola e que "uma das grandes preocupações tem sido evitar espaços desnecessários e acabamentos de luxo"...
Sintra Nunes, presidente da Parque Escolar, diz que as obras não vão parar devido à crise.

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/ensino/materiais-de-luxo-em-escolas-novas

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terça-feira, 19 de abril de 2011

Portugal é o país da UE com mais progressos na educação

Os países da União Europeia (UE) melhoraram os seus sistemas de educação em áreas chave na última década, mas apenas atingiram uma das cinco metas estabelecidas para 2010, revelou hoje a Comissão Europeia (CE).
O relatório sobre o progresso da educação mostra que a UE foi bem sucedida no objetivo de aumentar o número de diplomados em matemática, ciência e tecnologia, com um crescimento de 37% desde 2000, uma área em que Portugal surge entre os melhores desempenhos. A meta estabelecida a nível global, para 2010, apontava para um aumento de diplomados em 15 por cento. Foram atingidos os 37,2%, desde 2000, e a percentagem de mulheres passou de 30,7 para 32,6, no conjunto dos países.
Portugal é o país com maior crescimento, seguido da Eslováquia e da República Checa. O número de diplomados em matemática, ciência e tecnologia em Portugal cresceu 193,2 por cento entre 2000 e 2008 e a percentagem de mulheres passou de 41,9 para 34,1. Significativa, mas ainda insuficiente, foi a redução do abandono escolar, tendo aumentando o número de alunos que concluiu o ensino secundário. Melhoraram os níveis de literacia e a percentagem de adultos a receber educação ou formação.
No abandono precoce da escolaridade não deve ser ultrapassada a marca dos 10 por cento entre 2010 e 2020. Na Europa a 27, a percentagem de abandono do sistema (entre a população dos 18 aos 24 anos) desceu de 17,6 por cento, em 2000, para 14,4 por cento, em 2009. Nesta média, 12,5 por cento eram homens e 16,3 por cento mulheres.
Portugal apresentava percentagens de 43,6 por cento em 2000, 35,4 em 2008 e 31,2 em 2009 no que diz respeito à saída precoce do sistema. Os melhores desempenhos neste ponto foram da Polónia, República Checa e Eslováquia.
Na formação de adultos ao longo da vida, Portugal passou de 4,1 por cento, em 2005, para 6,5 por cento, em 2009. Entre a população ativa devem atingir-se, pelo menos, 12,5 por cento em 2010 e 15 por cento em 2020. Os melhores resultados neste item foram alcançados pela Dinamarca, Suécia e Finlândia.
A CE considera que, no geral, foram alcançados bons progressos, mas que são necessários mais esforços para serem alcançados os objetivos.

19 de Abril de 2011, 11:51 @Lusa

terça-feira, 5 de abril de 2011

Investigador desafia contestatários para debate público

Coordenador do estudo sobre reorganização da rede de ensino particular desafiou os autores anónimos de um documento que contesta o seu trabalho para um debate público. in Lusa/EDUCARE, 05/04/2011

"Estou totalmente disponível para um debate com os autores anónimos desta visão crítica, um debate sobre os erros que detetaram, para eu poder, em público, mostrar-lhes que não têm qualquer razão naquilo que apresentam", afirmou, numa conferência de imprensa, António Rochette (AR), autor do estudo "Reorganização da Rede de Ensino Particular e Cooperativo" e investigador da Universidade de Coimbra.
AR disse que, na sua perspetiva, o referido documento divulgado pelo SOS Educação "é anónimo", pois "nenhum dos autores deu" a cara.

"Sendo um estudo anónimo, eu, teoricamente, não deveria ter respondido, no entanto, ao colocarem a minha credibilidade académica em jogo não podia deixar passar esta situação", salientou o professor de Geografia da Faculdade de Letras (FLUC).

Referindo-se aos sete pontos apontados como erros do seu estudo por aquele movimento, disse que três deles "são meros manifestos propagandísticos de quem tem o direito a ter a sua opinião sobre o ensino particular", mas que "não têm a ver" com a reorganização da rede.

"Os erros são colocados, no essencial, para tentar chegar a uma conclusão que é a conclusão que eu compreendo que esses autores e o movimento queiram, ou seja, da necessidade da manutenção dos contratos de associação" do Estado com escolas particulares, disse o investigador da UC na área do planeamento de equipamentos coletivos.

Ao reportar-se ao caso de Coimbra, tratado como amostra na análise daquele movimento, AR disse que "há três setores claros", o urbano, o periurbano e o rural.

"No setor rural, os contratos de associação devem-se manter, com pequenas diminuições. No setor peri-urbano, as situações são um pouco mais complexas, porque muitas destas escolas já estão na área de influência de escolas públicas, há uma ligeira diminuição mas sem um peso significativo."

Na zona urbana, "não faz sentido que seja necessário estar a financiar quatro escolas com essas características", sublinhou.

AR disse ainda que no estudo que coordenou, encomendado pelo Governo, foram utilizados dados oficiais, introduzidos pelos responsáveis dos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo em outubro de 2010.

O estudo do SOS Movimento Educação, segundo o ativista João Asseiro, foi elaborado por professores da UC das áreas da economia, sociologia, letras e direito. No entanto, aquando da sua divulgação recentemente, os responsáveis por este movimento, que reúne encarregados de educação destas escolas, escusaram-se a revelar os nomes dos autores do estudo para "não pôr pessoas da Universidade umas contra as outras".

sábado, 26 de março de 2011

Suspensão da avaliação de professores

Gostava de saber as opiniões de excelentissimos bloggers sobre este assunto.
Pessoalmente, considero que as avaliações são positivas e servem para se fazer uma reflexão individual e superior sobre o trabalho desenvolvido ao longo do tempo.
Parece-me um desperdicio que o trabalho até agora efectuado não possa, de todo, ser aproveitado para uma avaliação melhorada e mais consensual.
Julgo também que era importante que os professores dissessem aos portugueses a sua opinião sobre os diversos sindicatos da classe, a sua representatividade e as suas tomadas de posição públicas.

domingo, 20 de março de 2011

Segurança Escolar - Ocorrências no interior das escolas caíram 10% no último ano lectivo

O número de ocorrências no interior das escolas caiu cerca de dez por cento em 2009/2010 em relação ao ano letivo anterior, tendo-se verificado também uma diminuição das agressões, segundo o Gabinete Coordenador de Segurança Escolar (GCSE).
Em entrevista à agência Lusa, a diretora do GCSE, Paula Peneda, antecipou algumas tendências do relatório anual do Programa Escola Segura, a ser divulgado, documento que junta as ocorrências no interior dos estabelecimentos de ensino e no exterior, estes contabilizados por PSP e GNR.
"A tendência desde há três anos tem sido a diminuição de ocorrências. Mantém-se com uma redução de cerca de dez por cento, no interior da escola", revelou a responsável, indicando que este dado situou-se em 2009/2010 à volta das 3.000 ocorrências.
Paula Peneda adiantou ainda que também "não há um aumento" em relação às agressões no interior das escolas.
"As escolas com mais de 50 ocorrências são as que necessitam de mais atenção e o meu objetivo para o próximo ano letivo é que não haja nenhuma com mais de 50 ocorrências", disse, adiantando que também desceu o número de estabelecimentos que ultrapassam este valor, sendo que em 2008/09 tinham sido seis.
Segundo a intendente, está "consolidado" que a violência está delimitada a meia dúzia de escolas, sempre no litoral, "a maioria em Lisboa e uma ou outra no Porto", que a agressão é o fenómeno que mais se verifica e que as idades dos alunos protagonistas "estão próximas do limite da escolaridade obrigatória", ou seja, os 13, 14 e 15 anos.
"Os alunos começam a estar muito tempo dentro da sala de aula. Não têm furos porque há as aulas de substituição e os blocos são de 90 minutos, o que é muito tempo dentro de uma sala nestas idades", realçou, lembrando ainda a "escola a tempo inteiro".
Atualmente, as escolas contam com um corpo de 700 vigilantes, antigos agentes da PSP e GNR, que são distribuídos pelas escolas com maior índice de ocorrências disciplinares, ajudando à vigilância nos recreios e refeitórios.
"Este modelo tem dado resultados. Não temos vigilantes em todas as escolas, mas temos naquelas que mais nos preocupam e que têm um clima escolar mais instável. É um sistema dinâmico. Se os problemas forem ultrapassados retiramos os vigilantes e destacamo-los para outra escola", explicou.
O Gabinete Coordenador faz relatórios acerca das ocorrências, a que horas acontecem, em que espaço da escola, quais as idades dos alunos que as protagonizam e depois esses dados são transmitidos ao estabelecimento de ensino, com sugestões de medidas a adotar, como o reforço da vigilância em determinados horários ou locais.
Paula Peneda sublinha que está também a decorrer uma ação de formação para professores sobre gestão de conflitos e outra para o pessoal auxiliar sobre a identificação de bullying.

Fonte: Agência LUSA (MLS), 19-03-2011

Segurança Escolar - Governo prepara Plano Nacional e pondera programa antibullying em todas as escolas

O Governo está a preparar um Plano Nacional de Segurança Escolar (PNSE) para aplicar no próximo ano letivo e pretende introduzir um programa antibullying em todas as escolas do país, anunciou fonte do ME.
"Estamos a ultimar um PNSE. Vamos tentar implementar no próximo ano letivo. Diz respeito à segurança na sua vertente mais lata", disse a diretora do Gabinete Coordenador de Segurança Escolar (GCSE), Paula Peneda, em entrevista à agência Lusa.
Segundo a responsável, este plano está relacionado com planos de emergência, com a segurança física e humana e terá 'nuances' tendo em conta a realidade de cada estabelecimento de ensino.
"As escolas terão que adotar este plano para evitar riscos externos e internos", adiantou (...).
Uma das propostas que o GCSE fez ao ME prende-se com um programa antibullying abrangente, para aplicar da pré-primária até ao final da escolaridade obrigatória em todas as disciplinas, estando a sua compra atualmente a ser negociada com o Governo finlandês.
"O professor vai passar uma mensagem às crianças de que a escola é um lugar de bem-estar, um lugar para aprender, para conviver, para fazer amigos e não um lugar de repressão ou para [os alunos] estarem oprimidos, sem falar diretamente de bullying", explicou.
Em relação a esta matéria, Paula Peneda defendeu que "não dá resultado dar lições de bullying" aos alunos e sublinhou que este programa recebeu recentemente um prémio das instâncias europeias.
Outra das propostas que foi feita ao Gabinete da Ministra Isabel Alçada é o alargamento ao 7.º e 8.º anos de escolaridade o tema "Cidadania e segurança", atualmente ministrado como um módulo apenas a alunos do 9.º ano, no âmbito da disciplina de Formação Cívica.
"Fizemos uma avaliação muito positiva deste módulo. Aconselhámos as escolas a chamarem bombeiros, proteção civil e PSP para falarem sobre segurança. Talvez não seja alargado na fórmula de modo, mas esperamos que seja ministrado transversalmente em várias disciplinas", disse Paula Peneda, ressalvando que ainda não é certo o alargamento a partir do próximo ano letivo.

Fonte: Agência LUSA (MLS), 19-03-2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Congresso CDS-PP, texto de Adolfo Mesquita Nunes

(...)
Estamos perante uma geração iludida por um sistema de ensino facilitista, imobilista e pouco profissional. Se quer vingar, pedem para não se exibir; se quer ser reconhecida como a melhor, rogam-lhe para que se disfarce de mediana, se quer escolher onde estudar, chamam-lhe de demagoga.
Uma geração que estuda por programas centralmente definidos na 5 de Outubro, mais preocupados em educar do que em ensinar, mais vocacionados para a ética socialista do que para a cultura do trabalho e do esforço, mais empenhados em encaminhar jovens para cursos sem qualquer saída profissional do que em permitir a livre escolha de escolas e carreiras.
É por isso uma geração confrontada com resultados abaixo da média da OCDE em todos os indicadores de desempenho educativo.
Mais, é confrontada precisamente com o facto de o sistema de ensino nacional estar a caminhar, em mais do que um sentido, contra as próprias recomendações da OCDE, que indica, por exemplo, que “os sistemas que obtêm melhores resultados permitem às escolas escolherem os seus programas” e que “é a combinação de autonomia e de uma responsabilização efectiva que parece produzir os melhores resultados”.
(...)
Como é que possível que um modelo de Estado com sistema de ensino, secundário e superior, tão bem forjado no interesse público e tão bem regulado pelo Estado, tenha conseguido ludibriar as expectativas de tantos jovens que a ele recorreram seguindo as promessas que lhes foram feitas?
(...)
Um Estado Justo não se alcança através de um sistema educativo assente num paradigma estatista, centralista e monopolista, que escraviza os recursos públicos e privados à hercúlea tarefa de manter um sistema de ensino gigantesco e despesista.
As escolas não podem continuar a ser privadas da sua autonomia e responsabilidade de gestão e os pais não podem continuar a ser tratados como peões sem vontade por parte do Estado.
O Estado Social pode gostar de ficar pela retórica da escola pública como instrumento essencial para garantir a melhor e mais justa escolaridade. Mas um Estado Justo já sabe que essa retórica fracassa na realidade e por isso aposta um sistema de ensino concorrencial, em que a autonomia de gestão e a liberdade de escolha dos pais e das famílias permite encontrar uma dinâmica capaz de potenciar nos alunos a necessidade e vantagem do esforço e do trabalho. Um Estado Justo permite a transição para um sistema de cheque-ensino. Um Estado Justo não é aquele que prepara os jovens para um percurso de mediania, simpático para as estatísticas, nem é aquele que giza um sistema de ensino ao sabor de preconceitos ideológicos. Um Estado Justo é aquele que permite às famílias, aos professores, às escolas e às entidades públicas encontrar as dinâmicas necessárias para instruir os jovens de forma a dotá-los das capacidades essenciais para um mundo competitivo e em mudança permanente.
Um Estado Justo não se alcança através de um sistema de ensino superior opaco em que as novas gerações não têm qualquer informação transparente sobre a qualidade do ensino ou sobre as saídas profissionais e possibilidades de emprego no futuro próximo.
O Estado Social pode gostar de ficar na retórica de que todas as licenciaturas são boas e de que todo o ensino superior oferece a porta de entrada da mobilidade social. Mas um Estado Justo já sabe que essa retórica fracassa na realidade e por isso sabe que as instituições de ensino superior devem abrir-se à comunidade, num sistema de transparência que permita aos jovens tomar opções fundadas no conhecimento de causa. E defende um sistema concorrencial entre as universidades públicas e a consagração de novas regras de acesso e permanência na carreira docente tendentes ao culto da excelência, da investigação e do mérito.
(...)

domingo, 13 de março de 2011

Movimento de Coimbra do ensino particular defende revogação da legislação que altera financiamento público

in Público 11.03.2011
Quinze escolas com contratos de associação com o Estado formaram esta quinta-feira, em Coimbra, o Movimento de Escolas Privadas com Ensino Público Contratualizado (MEPEC), que defende a revogação do decreto-lei que altera o financiamento do ensino particular e cooperativo.

Como primeira prioridade, o MEPEC propõe o estabelecimento de contratos de serviço público de educação entre o Estado e todas as escolas “que desejem, de livre vontade e em obediência à legislação em vigor, colaborar com o Estado na sua missão de garantir a todas as crianças e jovens o acesso gratuito a um ensino de qualidade”.

O MEPEC não aceita a diminuição, no próximo ano lectivo, do número de turmas com contrato de associação e “acompanhará as escolas com contrato de associação neste processo de revisão dos contratos imposto unilateralmente pelo Ministério da Educação, procurando as soluções políticas que possam, em cada momento, ajudar a minorar a difícil situação em que se encontram muitas escolas”.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Conferência "Educação e a Liberdade de Escolha"

Quinta-feira, 3 de Março · 21:00 - 23:30

Sede Nacional CDS/PP - Largo Adelino Amaro da Costa, 5 - Lisboa

ORADORES:

  • ANTÓNIO ESTEVEIRA
    Director do Colégio de Penafirme
  • JOÃO MUÑOZ
    Vice-Presidente da AEEP - Associação de Estabelecimentos de
    Ensino Particular e Cooperativo
  • LUÍS MARINHO
    Porta-Voz do Movimento SOS Educação

    http://www.facebook.com/event.php?eid=197481310280712

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Contratos de patrocínio

"Têm sido celebrados com escolas de Música e artísticas. O Estado suportava uma percentagem igual ou superior a 50 por cento das despesas de funcionamento. O novo decreto-lei que regula os apoios aos privados remete o montante do subsídio a pagar para uma portaria posterior. Este ano já sofreram um corte de mais de 50 por cento."
Fonte: Público
http://www.publico.pt/Educação/os-principais-contratos-entre-o-estado-e-o-ensino-particular_1481933


Isto era um modelo que eu gostava que fosse mais utilizado. Bastaria que onde diz "Música e artísticas" substituissem por "vocação específica".
Gostava que explicassem qual era o critério que o Estado utilizava para cálculo da percentagem de financiamento das despesas de funcionamento.
Claro que isto já é passado porque estes contratos sofreram cortes de mais de CINQUENTA por cento, já este ano.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Jogar para re-comprometer os rapazes com a aprendizagem

Ali-Carr Chellman* aponta três razões para os rapazes estarem a assentar em massa fora da escola e define o seu plano ousado para voltar a envolvê-los: trazendo sua cultura para a sala de aula, com novas regras que permitem que os rapazes sejam rapazes e jogos de vídeo que ensinam, mas também os entretêem.


*Ali Carr-Chellman é uma autora que estuda as formas mais eficazes de ensinar às crianças e de fazer mudanças na escola.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Concordo 8/10

Embora considere inestimável a riqueza que este Encontro da FLE trouxe para o debate da educação - oxalá o ME tenha prestado atenção - existem 2 pontos com os quais não concordo.
O primeiro ponto é pela forma como eu vejo a democracia e a gestão que os governos devem fazer dos impostos de todos. Não considero que Portugal tenha condições para fornecer nada gratuitamente. Apenas o veria como possível se fossemos absolutamente perfeitos na execução dos objectivos propostos e com um rigor económico extraordinário. Acresce ainda a essa condição a capacidade económica e de justiça para todos os contribuintes de haver um limite máximo até onde não seria possível continuar a exigir a todos o beneficio de apenas alguns.
Deste modo julgo que a educação deveria ser paga parcialmente por quem dela usufrui tal como temos de pagar pela saúde, justiça e demais serviços elementares. Quem tem meios para poder contribuir deverá fazê-lo e quem não tem deverá ser apoiado.
Relativamente à proibição de obtenção de lucros concordo que a componente suportada pelos impostos tenha essa permissa mas julgo que excluir qualquer estabelecimento que cumpra com os requisitos minimos mas que pretenda adicionalmente que quem frequente o seu estabelecimento tenha acesso a outras actividades que exigissem dos seus alunos um esforço financeiro acrescido não fossem impossibilitados de incluir os seus alunos no mesmo direito universal à educação. Deste modo, os pais poderiam optar se queriam proporcionar aos seus filhos algo mais sem ter de retirá-los do ambiente escolar para esse efeito.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Todos de acordo – 10 princípios

Ainda a propósito do seminário promovido pelo Fórum para a Liberdade de Educação (FLE) no passado dia 14 de Fevereiro, na Gulbenkian, foi interessante observar que ao nível dos princípios enunciados não havia divergências. Ficamos pois com a sensação que a esse nível é fácil gerar consensos. A dificuldade está pois em levá-los à prática. Mas então comecemos por os enunciar. Proponho uma “carta” de 10 princípios de amplo consenso. Dou o pontapé de saída, uma proposta para malhar e melhorar:

1. Mais autonomia para as escolas

2. Maior participação dos pais e da comunidade local na gestão da escola

3. Não há soluções únicas, nem soluções mágicas, a escola deve saber aproveitar da melhor forma os recursos de que dispõe (próprios e da comunidade) para dar a resposta mais acertada às necessidades específicas dos seus alunos

4. Ensino público não significa escola pública

5. Ninguém pode ser excluído do direito ao ensino gratuito

6. O sistema de ensino deve promover a mobilidade social e a igualdade de oportunidades.

7. O erário público não deve servir para enriquecimento de grupos privados pelo facto do ensino ser gratuito e para todos

8. Bons professores são essenciais para um bom sistema de ensino, sem avaliação não é possível promover os melhores professores

9. Os sindicatos não são o único interlocutor para auscultar os professores e têm uma agenda própria em que o primeiro objectivo não é um melhor ensino para as crianças (mas a defesa dos interesses específicos dos professores)

10. Os primeiros anos são fundamentais para o desenvolvimento de uma criança, dê-se prioridade a esta faixa etária no que toca a investimento e oferta para todos

Há com certeza muito a melhorar. Malhem e proponham! O objectivo é consensualizar 10 princípios.