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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Li há dias esta noticia no Público:

"A um mês do início das aulas, há alunos que ainda desconhecem onde vão estudar. Os responsáveis das escolas apontam o dedo à divulgação de rankings que fizeram com que as preferências dos pais recaíssem em apenas alguns estabelecimentos."


Segundo esta notícia e, em grande medida o senso comum, os pais procuram para os seus filhos as escolas que têm melhor padrão de desempenho passado, o que é aferido pelorankings das notas de exames.
Faz sentido? Faz, na medida em que esse é o único critério - para além da zona onde a escola está inserida- que é visivel e factual e, portanto, um bom preditor do sucesso escolar.

Mas será esse o único critério relevante ou, por outras palavras, um critério universal? Será que todos os pais procuram, exclusivamente, sem olhar a nada mais, a excelência académica?
Então e a oferta de valências na área das artes ou do ensino articulado da música, por exemplo? E a assiduidade dos professores? E os valores que a escola promove e pelos quais é reconhecida? E a capacidade de levar alunos mais fracos ao máximo do seu potencial? E como está a performance da escola em termos de liderança? E é uma escola que tenha vindo a melhorar ao longo do tempo ou, pelo contrário, estagnou no seu processo?

Fará este ano 11 anos que, por "pressão" dos media, começou a ser divulgada pelo Ministério da Educação (ME) uma base de dados com os resultados dos exames nacionais, primeiro para Ensino Secundário e, desde 2005, também para o Básico. A partir dessa base de dados, a comunicação social - em parceria com Universidades, ou outras entidades - elabora e publica listas de seriação de escolas, designadas comummente por "rankings".
Estes "rankings", sendo uma fonte importante de informação, são também polémicos, na medida em que apresentam uma visão estreita, que, fundamentalmente, compara o que não é comparável, deixando por responder muitas das perguntas acima enunciadas.

Este ano, o ME pode fazer diferente. Pode, por exemplo, incluir um indicador compósito que reflicta o valor acrescentado de cada escola*, para além dos dados relativos a exames dos alunos, também:
  • a percentagem de alunos que foi submetida a exame no termo dos três anos previstos para a conclusão dos cursos, aferindo a taxa de eficácia e o rendimento escolar;
  • um indicador sobre a proveniência socioeconómica e cultural maioritária dos alunos de cada escola;
  • o resultado decorrente da Avaliação Externa de Escolas.
Um dia, para breve, gostaria de ver por cá qualquer coisa como esta que encontramos nos E.U.A: www.greatschools.org/.
Um site de transparência de informação em que os pais podem saber muito, factual e evolutivamente, sobre as escolas da sua área de residência.

*Estas ideias não são - só- minhas. São defendidas por pessoas de grande valor deste sector como seja o Professor Joaquim de Azevedo (Universidade Católica Portuguesa).

NOTA: Também publicado em www.senatus.blogs.sapo.pt


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Insucesso: prevenção, remediação, avaliação.

É este o título de uma notícia do ionline de hoje, a propósito dos planos de recuperação instituídos no Estatuto de Aluno, para os casos de alunos com excesso de faltas injustificadas.

Várias coisas se me oferecem dizer sobre o conteúdo do dito artigo e a matéria de que trata:
  1. O texto sugere que, muito mais eficazes, são as medidas de prevenção. Claro. Como não concordar? Mas, como há que dar resposta a todos os alunos que andam pela escola, há também que pensar em estratégias de remediação para aqueles que já têm o problema.
  2. Segundo o artigo, esta estratégia não resultou. Não resultou em absoluto? Não resultou vs quais medidas alternativas? Não resultou em todos os contextos? É um problema de custo-benefício?...
  3. E que outras possibilidades haveria para lidar com este problema? Porque, para além daquela que o i aborda -"O que a lei diz é que é preciso esperar que o aluno tenha 15 anos e o 6.o ano completo para poder seguir a via profissional. Até lá, o aluno fica na escola, a repetir os anos e a ganhar aversão às aulas.", e que eu subscrevo, constando aliás do Programa do CDS - há uma outra, bem mais relevante que é a autonomia da escola. Porque, há escolas em que estas medidas podem funcionar e outras em que não e não deveria ser feita "tábua rasa"...
  4. O que nos trás à Avaliação. Está em curso uma avaliação desta medida que (que, espero, se conclua, e seja quantitativa e pública). Escolher algumas escolas e fazer uma leitura impressionista, procurando extrapolar uma globalidade de resultados é, a meu ver, uma prática má e misleading.
Portanto eu, que até conheço esta realidade e, confesso aqui, nem sou fã desta medida, fico "desinformada". É que deitar abaixo é sempre fácil. Sobretudo sem apresentar dados objectivos, comparações com o passado e, sobretudo, sugestões de melhoria.
Confesso-me farta desta atitude em que está tudo mal, mas há pouco esforço, rigor e criatividade para fazer as coisas resultar bem. Embora me pareça que seja justamente este o produto do sistema de educação que tanto criticamos.

(Também publicado em http://senatu.blogspot.com/)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O desafio do futuro

Confesso que tenho grandes expectativas para estes tempos, fundadas sobretudo na premência do que vivemos: (i) uma crise que é fundamentalmente nossa, embora agudizada por uma outra internacional, (ii) um novo governo de maioria (embora de coligação), um Presidente da República apoiado por essa mesma maioria e um compromisso programático assinado pelo, agora, maior partido da oposição e (iii) uma impossibilidade de continuar a viver com o mesmo modelo de até aqui.

Com este espírito, estive a ler o Programa do XIX Governo Constitucional, ontem apresentado.

Sem surpresa, de forma automática, os meus olhos correram para o capítulo "O Desafio do Futuro", que trata o tema da Educação.

Naturalmente que, tendo em conta que este documento reflecte as visões que já conheço do PSD e do CDS, não encontrei nada de muito novo. Mas há várias medidas que mereceram o meu entusiasmo:
  • pareceu-me muito sensata a ideia de "criar consensos alargados sobre o plano estratégico de desenvolvimento [da Educação] tendo como horizonte temporal 2030",
  • gostei de ver empenho na "criação de um sistema nacional de indicadores de avaliação" - para substituir o simplismo misleading dos rankings;
  • encontrei com agrado uma abertura ao mundo empresarial, assumindo que "as empresasdevem ser incentivadas a apoiar os perfis profissionais" e até, como parte interessada, co-finaciar uma rede de ensino profissional.
Há depois uma categoria dos "suspeitos do costume" que, muito embora tópicos fundamentais, não foram, recorrentemente, enfrentados, dos quais é exemplo maior a autonomia das escolas.

Por outro lado, ficou de fora um tema que, na minha opinião, é da maior importância, que é o relativo à capacitação, responsabilização e avaliação das lideranças escolares. É que para o sucesso de muitas das medidas, será fundamental contar com os directores das escolas.

No global, este documento é ainda, e necessariamente, muito macroscópico. A definição de prioridades e nuances, o calendário de execução e a orçamentação destas medidas serão críticas para percebermos o que efectivamente teremos pela frente. Assim como a capacidade de aprender com o passado pugnando pela transparência de informação e o envolvimento de todos os stakeholders.

De fundo, desejo que este "desafio de futuro" não se transforme - como noutras ocasiões- num desafio para um futuro que, por ser tão difícil e remoto, nunca chega a acontecer.

(também publicado em www.senatu.blogspot.com)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Walk the Talk

Muito já se disse sobre o elenco deste novo governo. Como sempre, tenho um bias que me leva a olhar com mais interesse para o que acontece na Educação.

O novo Ministro da Educação será o Prof. Nuno Crato que, ao longo dos anos, tem vindo a reflectir e partilhar o seu pensamento sobre a Educação em Portugal.
Para mim tem três grandes características:
1- Não fala de tudo, mas do que sabe e do que pensa ser capaz de acrescentar valor. É sinal de seriedade e consistência, embora agora lhe vá ser exigida maior abrangência;
2- Tem um horizonte largo, tendo experimentado outros sistemas de ensino e não estando preso à forma como sempre se fizeram as coisas.
3-É uma voz muito crítica do nosso actual sistema, propondo caminhos disruptivos em muitas, muitas frentes. Espera-se que tenha estado atento ao que se passou com a Drª Maria de Lurdes Rodrigues e a sua ânsia de ir a todas as frentes, ao mesmo tempo e em full speed...

Para a "nossa" Educação esta é uma oportunidade favorável a uma mudança urgente.
Para o Nuno Crato, "este é o momento". É o momento de walk the talk.