Coordenador do estudo sobre reorganização da rede de ensino particular desafiou os autores anónimos de um documento que contesta o seu trabalho para um debate público. in Lusa/EDUCARE, 05/04/2011
"Estou totalmente disponível para um debate com os autores anónimos desta visão crítica, um debate sobre os erros que detetaram, para eu poder, em público, mostrar-lhes que não têm qualquer razão naquilo que apresentam", afirmou, numa conferência de imprensa, António Rochette (AR), autor do estudo "Reorganização da Rede de Ensino Particular e Cooperativo" e investigador da Universidade de Coimbra.
AR disse que, na sua perspetiva, o referido documento divulgado pelo SOS Educação "é anónimo", pois "nenhum dos autores deu" a cara.
"Sendo um estudo anónimo, eu, teoricamente, não deveria ter respondido, no entanto, ao colocarem a minha credibilidade académica em jogo não podia deixar passar esta situação", salientou o professor de Geografia da Faculdade de Letras (FLUC).
Referindo-se aos sete pontos apontados como erros do seu estudo por aquele movimento, disse que três deles "são meros manifestos propagandísticos de quem tem o direito a ter a sua opinião sobre o ensino particular", mas que "não têm a ver" com a reorganização da rede.
"Os erros são colocados, no essencial, para tentar chegar a uma conclusão que é a conclusão que eu compreendo que esses autores e o movimento queiram, ou seja, da necessidade da manutenção dos contratos de associação" do Estado com escolas particulares, disse o investigador da UC na área do planeamento de equipamentos coletivos.
Ao reportar-se ao caso de Coimbra, tratado como amostra na análise daquele movimento, AR disse que "há três setores claros", o urbano, o periurbano e o rural.
"No setor rural, os contratos de associação devem-se manter, com pequenas diminuições. No setor peri-urbano, as situações são um pouco mais complexas, porque muitas destas escolas já estão na área de influência de escolas públicas, há uma ligeira diminuição mas sem um peso significativo."
Na zona urbana, "não faz sentido que seja necessário estar a financiar quatro escolas com essas características", sublinhou.
AR disse ainda que no estudo que coordenou, encomendado pelo Governo, foram utilizados dados oficiais, introduzidos pelos responsáveis dos estabelecimentos do ensino particular e cooperativo em outubro de 2010.
O estudo do SOS Movimento Educação, segundo o ativista João Asseiro, foi elaborado por professores da UC das áreas da economia, sociologia, letras e direito. No entanto, aquando da sua divulgação recentemente, os responsáveis por este movimento, que reúne encarregados de educação destas escolas, escusaram-se a revelar os nomes dos autores do estudo para "não pôr pessoas da Universidade umas contra as outras".
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