O número de ocorrências no interior das escolas caiu cerca de dez por cento em 2009/2010 em relação ao ano letivo anterior, tendo-se verificado também uma diminuição das agressões, segundo o Gabinete Coordenador de Segurança Escolar (GCSE).
Em entrevista à agência Lusa, a diretora do GCSE, Paula Peneda, antecipou algumas tendências do relatório anual do Programa Escola Segura, a ser divulgado, documento que junta as ocorrências no interior dos estabelecimentos de ensino e no exterior, estes contabilizados por PSP e GNR.
"A tendência desde há três anos tem sido a diminuição de ocorrências. Mantém-se com uma redução de cerca de dez por cento, no interior da escola", revelou a responsável, indicando que este dado situou-se em 2009/2010 à volta das 3.000 ocorrências.
Paula Peneda adiantou ainda que também "não há um aumento" em relação às agressões no interior das escolas.
"As escolas com mais de 50 ocorrências são as que necessitam de mais atenção e o meu objetivo para o próximo ano letivo é que não haja nenhuma com mais de 50 ocorrências", disse, adiantando que também desceu o número de estabelecimentos que ultrapassam este valor, sendo que em 2008/09 tinham sido seis.
Segundo a intendente, está "consolidado" que a violência está delimitada a meia dúzia de escolas, sempre no litoral, "a maioria em Lisboa e uma ou outra no Porto", que a agressão é o fenómeno que mais se verifica e que as idades dos alunos protagonistas "estão próximas do limite da escolaridade obrigatória", ou seja, os 13, 14 e 15 anos.
"Os alunos começam a estar muito tempo dentro da sala de aula. Não têm furos porque há as aulas de substituição e os blocos são de 90 minutos, o que é muito tempo dentro de uma sala nestas idades", realçou, lembrando ainda a "escola a tempo inteiro".
Atualmente, as escolas contam com um corpo de 700 vigilantes, antigos agentes da PSP e GNR, que são distribuídos pelas escolas com maior índice de ocorrências disciplinares, ajudando à vigilância nos recreios e refeitórios.
"Este modelo tem dado resultados. Não temos vigilantes em todas as escolas, mas temos naquelas que mais nos preocupam e que têm um clima escolar mais instável. É um sistema dinâmico. Se os problemas forem ultrapassados retiramos os vigilantes e destacamo-los para outra escola", explicou.
O Gabinete Coordenador faz relatórios acerca das ocorrências, a que horas acontecem, em que espaço da escola, quais as idades dos alunos que as protagonizam e depois esses dados são transmitidos ao estabelecimento de ensino, com sugestões de medidas a adotar, como o reforço da vigilância em determinados horários ou locais.
Paula Peneda sublinha que está também a decorrer uma ação de formação para professores sobre gestão de conflitos e outra para o pessoal auxiliar sobre a identificação de bullying.
Fonte: Agência LUSA (MLS), 19-03-2011
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