O Ministério da Educação anunciou hoje que foram já assinadas 30 adendas aos contratos de associação com escolas do ensino particular e cooperativo, mas as associações do sector acusam a tutela de chantagem e pressão.
Num comunicado, o Ministério da Educação (ME) refere que as Direcções Regionais de Educação (DRE) iniciaram a renegociação dos contratos de associação com as escolas, tendo já 30 adendas aos contratos.
Em causa está a verba a atribuir por turma e ano às escolas privadas com contratos de associação. O ME diz que a verba definida, de 80 080 euros, corresponde ao financiamento do ensino público de nível e grau equivalente.
As associações que representam o ensino privado dizem que esse valor é insuficiente e deveria ser de 90 mil euros.
"As adendas aos contratos de associação são o instrumento que habilita as DRE a efectuarem os pagamentos às escolas com contrato de associação com o ME", refere a nota hoje enviada pelo ME.
O ME lembra ainda que vigorará um período de transição entre Janeiro e Agosto deste ano "em que serão pagas parcelas mensais às escolas com contratos de associação, tendo por referência o montante anual de 90 mil euros/turma".
Numa reacção a este comunicado, a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) acusa o ME de fazer uma "chantagem inaceitável" com as escolas.
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Escolas assinaram adendas aos contratos para conseguirem pagar salários de Janeiro
Algumas escolas particulares assinaram adendas aos contratos que têm com o ME aceitando cortes de verbas porque precisam do dinheiro para pagar os salários de Janeiro, denunciou a AEEP.
Segundo a Direcção da AEEP, o ME "ameaçou colégios com estrangulamento financeiro" mas passou a ideia de que teriam chegado a acordo e celebrado 30 adendas aos contratos de associação com escolas do ensino particular e cooperativo.
A AEEP explica que estes colégios "têm como única fonte de receita para pagar os ordenados de pessoal docente e não docente as verbas que são transferidas pelo ME".
Durante a semana passada, as DRE enviaram para os colégios uma adenda ao contrato de associação, reduzindo os valores dos contratos em vigor de cerca de 90 para 80 mil euros por turma.
O anúncio feito pelo ME de que 30 colégios teriam assinado o acordo é visto pela AEEP como uma "pressão ilegítima e abusiva sobre as entidades titulares de escolas", que terão dito que "caso não assinassem as adendas ao contrato não receberiam as verbas a que têm direito".
"A maioria das escolas que assinaram as adendas fizeram-no sob protesto, clarificando que se encontram em estado de necessidade para pagar os salários de Janeiro", alerta a associação.
Em comunicado, o ME lembra que vigorará um período de transição entre Janeiro e Agosto deste ano "em que serão pagas parcelas mensais às escolas com contratos de associação, tendo por referência o montante anual de 90 mil euros/turma".
No entanto, de acordo com a Associação, aqueles contratos estão em vigor e foram definidos em portaria: "O Estado pode e deve pagar o valor nela previsto sem que seja necessário realizar qualquer adenda ao contrato."
A AEEP anunciou este mês que vai pedir a suspensão da portaria que estipula os valores de financiamento para o sector e que vai disponibilizar apoio jurídico às escolas que queiram avançar com providências cautelares.