segunda-feira, 4 de julho de 2011

Insucesso: prevenção, remediação, avaliação.

É este o título de uma notícia do ionline de hoje, a propósito dos planos de recuperação instituídos no Estatuto de Aluno, para os casos de alunos com excesso de faltas injustificadas.

Várias coisas se me oferecem dizer sobre o conteúdo do dito artigo e a matéria de que trata:
  1. O texto sugere que, muito mais eficazes, são as medidas de prevenção. Claro. Como não concordar? Mas, como há que dar resposta a todos os alunos que andam pela escola, há também que pensar em estratégias de remediação para aqueles que já têm o problema.
  2. Segundo o artigo, esta estratégia não resultou. Não resultou em absoluto? Não resultou vs quais medidas alternativas? Não resultou em todos os contextos? É um problema de custo-benefício?...
  3. E que outras possibilidades haveria para lidar com este problema? Porque, para além daquela que o i aborda -"O que a lei diz é que é preciso esperar que o aluno tenha 15 anos e o 6.o ano completo para poder seguir a via profissional. Até lá, o aluno fica na escola, a repetir os anos e a ganhar aversão às aulas.", e que eu subscrevo, constando aliás do Programa do CDS - há uma outra, bem mais relevante que é a autonomia da escola. Porque, há escolas em que estas medidas podem funcionar e outras em que não e não deveria ser feita "tábua rasa"...
  4. O que nos trás à Avaliação. Está em curso uma avaliação desta medida que (que, espero, se conclua, e seja quantitativa e pública). Escolher algumas escolas e fazer uma leitura impressionista, procurando extrapolar uma globalidade de resultados é, a meu ver, uma prática má e misleading.
Portanto eu, que até conheço esta realidade e, confesso aqui, nem sou fã desta medida, fico "desinformada". É que deitar abaixo é sempre fácil. Sobretudo sem apresentar dados objectivos, comparações com o passado e, sobretudo, sugestões de melhoria.
Confesso-me farta desta atitude em que está tudo mal, mas há pouco esforço, rigor e criatividade para fazer as coisas resultar bem. Embora me pareça que seja justamente este o produto do sistema de educação que tanto criticamos.

(Também publicado em http://senatu.blogspot.com/)

1 comentário:

  1. Também não sou fã desta medida, até porque não percebo como é que se inverte uma situação com o mesmo tipo de resposta!? Ainda por cima a multiplicar a dose aplicada ao aluno.
    Isto é, se um aluno se encontra a faltar, vamos aplicar-lhe uma medida que lhe proporciona ainda mais ocasiões para faltar (falhar). Non-sense? Absolutely!
    O que os directores devem procurar são soluções "alternativas" e não "mais do mesmo".

    Os PIT são soluções 'end of the line' e raramente têm sucesso. Os que têm sucesso não são de alunos que faltam sem motivo algum, são os de alunos que foram impedidos de frequentar as aulas temporariamente (por doença ou outro motivo relevante).

    Os senhores directores têm à sua disposição uma figura, ferramenta, opção, o que lhe quiserem chamar, que se chama "Percurso Curricular Alternativo". Esta sim é uma medida preventiva, que não precisa de deixar os alunos atingir os 15 anos para ser implementada. Só que esta medida, para além de dar trabalho, obriga-os a assumir perante os pais que os seus filhos - ainda muito novinhos - são uns inadaptados relativamente aos outros alunos da escola, seus vizinhos. Também implica que os directores arranjem os professores adequados para leccionarem matérias alternativas aos alunos, ou seja, professores alternativos.
    Até aqui tudo bem. Mais ou menos. Os outros professores, os que não conseguiram cativar os alunos é que passam a ser um segundo problema: o que fazer com eles que deixam de ter alunos a quem leccionar? O que pode um fazer um director com estes professores agora excedentários?

    Mais meios? Para quê? O que é necessário é que os meios sejam os adequados à função. Fazer trabalhar adequadamente os professores existentes seria uma medida bem mais efectiva. Ou em alternativa trocar os 5% de professores menos eficientes.

    O artigo fala ainda nos TEIP. Outra medida que me faz comichão. Medida de rico. Medida pouco reflectida. São 100 escolas. Pergunto-me o que fariam 1000 escolas com os rios de dinheiro que são afectados a estas 100 escolas?
    Ok, não se pode desistir de determinada população. Mas há que manter em perspectiva que o bolo é o mesmo e se alguns comem mais outros comem menos. Com 10% dos meios estou certo que muitas escolas teriam melhores resultados em termos de notas, absentismo e abandono escolar.

    Só uma nota em relação à dimensão das escolas.
    O facto de ser uma escola de grandes dimensões é quase sempre visto pelo lado do problema, ainda que falso. Deve ser visto pelo lado da oportunidade. Uma escola de grandes dimensões pode oferecer soluções alternativas que uma escola pequena não pode devido à escala.
    Dá trabalho, sim, mas não é (não pode ser) um problema.

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