quarta-feira, 29 de junho de 2011

O desafio do futuro

Confesso que tenho grandes expectativas para estes tempos, fundadas sobretudo na premência do que vivemos: (i) uma crise que é fundamentalmente nossa, embora agudizada por uma outra internacional, (ii) um novo governo de maioria (embora de coligação), um Presidente da República apoiado por essa mesma maioria e um compromisso programático assinado pelo, agora, maior partido da oposição e (iii) uma impossibilidade de continuar a viver com o mesmo modelo de até aqui.

Com este espírito, estive a ler o Programa do XIX Governo Constitucional, ontem apresentado.

Sem surpresa, de forma automática, os meus olhos correram para o capítulo "O Desafio do Futuro", que trata o tema da Educação.

Naturalmente que, tendo em conta que este documento reflecte as visões que já conheço do PSD e do CDS, não encontrei nada de muito novo. Mas há várias medidas que mereceram o meu entusiasmo:
  • pareceu-me muito sensata a ideia de "criar consensos alargados sobre o plano estratégico de desenvolvimento [da Educação] tendo como horizonte temporal 2030",
  • gostei de ver empenho na "criação de um sistema nacional de indicadores de avaliação" - para substituir o simplismo misleading dos rankings;
  • encontrei com agrado uma abertura ao mundo empresarial, assumindo que "as empresasdevem ser incentivadas a apoiar os perfis profissionais" e até, como parte interessada, co-finaciar uma rede de ensino profissional.
Há depois uma categoria dos "suspeitos do costume" que, muito embora tópicos fundamentais, não foram, recorrentemente, enfrentados, dos quais é exemplo maior a autonomia das escolas.

Por outro lado, ficou de fora um tema que, na minha opinião, é da maior importância, que é o relativo à capacitação, responsabilização e avaliação das lideranças escolares. É que para o sucesso de muitas das medidas, será fundamental contar com os directores das escolas.

No global, este documento é ainda, e necessariamente, muito macroscópico. A definição de prioridades e nuances, o calendário de execução e a orçamentação destas medidas serão críticas para percebermos o que efectivamente teremos pela frente. Assim como a capacidade de aprender com o passado pugnando pela transparência de informação e o envolvimento de todos os stakeholders.

De fundo, desejo que este "desafio de futuro" não se transforme - como noutras ocasiões- num desafio para um futuro que, por ser tão difícil e remoto, nunca chega a acontecer.

(também publicado em www.senatu.blogspot.com)

Programa do Governo para a Educação - Desafio do Futuro

Fica aqui o capítulo do Programa do Governo dedicado ao sector da Educação - O Desafio do Futuro.
Os comentários seguem dentro de momentos, depois de leitura atenta.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Perfis dos Secretários de Estado da Educação não Superior

Secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar
João Casanova de Almeida, 54 anos, é especialista em educação. Foi chefe de gabinete da secretária de Estado da Educação, Mariana Torres Cascais, do anterior governo de coligação PSD/CDS, e é desde Outubro de 2009 chefe de gabinete do grupo parlamentar democrata-cristão.
Começou por ser professor do ensino secundário, foi formador de professores, professor universitário e é autor de livros sobre política educativa. É membro da comissão política nacional do CDS.
 
Secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário
Isabel Maria Santos Silva é professora auxiliar no departamento de Psicologia da Universidade de Évora, sendo doutorada em Psicologia, pela mesma universidade, sobre os processos cognitivos e conhecimentos envolvidos nas etapas iniciais da aprendizagem da leitura.
Desde 2009 integra o grupo de trabalho responsável pelo estudo psicolinguístico para “Estabelecimento de níveis de referência na aprendizagem da leitura e da escrita do 1.º ao 6.º ano de escolaridade”, realizado no âmbito do programa de acompanhamento e de monitorização do Plano Nacional de Leitura.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Walk the Talk

Muito já se disse sobre o elenco deste novo governo. Como sempre, tenho um bias que me leva a olhar com mais interesse para o que acontece na Educação.

O novo Ministro da Educação será o Prof. Nuno Crato que, ao longo dos anos, tem vindo a reflectir e partilhar o seu pensamento sobre a Educação em Portugal.
Para mim tem três grandes características:
1- Não fala de tudo, mas do que sabe e do que pensa ser capaz de acrescentar valor. É sinal de seriedade e consistência, embora agora lhe vá ser exigida maior abrangência;
2- Tem um horizonte largo, tendo experimentado outros sistemas de ensino e não estando preso à forma como sempre se fizeram as coisas.
3-É uma voz muito crítica do nosso actual sistema, propondo caminhos disruptivos em muitas, muitas frentes. Espera-se que tenha estado atento ao que se passou com a Drª Maria de Lurdes Rodrigues e a sua ânsia de ir a todas as frentes, ao mesmo tempo e em full speed...

Para a "nossa" Educação esta é uma oportunidade favorável a uma mudança urgente.
Para o Nuno Crato, "este é o momento". É o momento de walk the talk.



domingo, 19 de junho de 2011

O novo Ministro da Educação e as suas ideias expressas no fórum Portugal de Verdade

Nuno Crato apresenta as suas ideias sobre o estado da Educação e as cinco medidas a adoptar no (pelo) futuro Ministério (Ministro) da Educação:
  1. Extinguir o GAVE e criar um gabinete de avaliação independente
  2. Avaliação dos professores, tendo por base os resultados dos alunos
  3. Valorizar os professores
  4. Exame de entrada na profissão docente
  5. Novo Ministério da Educação com funções apenas de gestão do parque escolar, de negociação salarial, encomenda de exames, traçar metas e avaliação dos resultados.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Contratos de Associação - Liberdade de Escolha para todos?

Em Torres Vedras há um grupo superiormente liderado e muito bem organizado. Ou talvez não. Talvez apenas superiormente liderado e muito bem manipulado. E porquê? Porque conseguiu muito bem fazer passar uma mensagem FALSA, à custa de alunos, pais e mesmo professores sem qualquer pejo. Em nome, teoricamente, do princípio da Liberdade de Escolha. Teoricamente, porque a prática não corresponde.
O que se passa é que há um colégio com um contrato de associação - o Externato de Penafirme. Contrato necessário, sem qualquer dúvida, para garantir a escolaridade obrigatória a alunos de uma zona, que não tem uma escola pública como oferta. Até aqui tudo bem.
Só que o Estado não quis e não quer terminar com este contrato, uma vez que se mantém a necessidade do mesmo. Não tem planos para construir nenhuma escola pública na mesma zona.
Porquê então a sanha? Apenas pelo corte progressivo, faseado no financiamento? Não se passou o mesmo na Escola Pública? Até não. Aí o corte foi radical e inapelável.
Mas voltemos à zona de Torres Vedras e ao princípio sacrossanto da Liberdade de Educação. Na mesma área de influência existe uma outra escola privada - a Escola Internacional de Torres Vedras. Distam uma da outra cerca de 10 km. Mas esta outra escola deve ter um qualquer handicap. Não vi, não vejo qualquer palavra ou movimento de defesa da Liberdade de Escolha relativamente a esta escola. Porque também ela pode oferecer o Serviço Público de Educação e beneficiar do contrato de associação.
Parece que não pode ser. Isto está reservado apenas para alguns. Porque será?
Fico a aguardar que me esclareçam ou que me mostrem que o conteúdo supra não está correcto.

O que fica a seguir é demonstrativo da capacidade de mobilização ou de manipulação (e da capacidade financeira). Para mim, é apenas lamentável.


Não é inédito no Oeste - quem não se lembra de Feliciano Barreiras Duarte. A estratégia é a mesma, o resultado deverá ser semelhante. Em nome de quê? Valores? Quais?

Viva a Liberdade de Escolha - Tout court

Ora aqui está a melhor forma de avaliar a qualidade: a escolha dos pais. Pobres crianças!
A segurança social, "em vez de andar atrás dos bandidos, fica por aqui". Ainda por cima, tem o profundo descaramento de terminar com o empreendedorismo de uma empresária portuguesa de sucesso! Pela segunda vez!!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O estado da educação

http://cachimbodemagritte.com/3051396.html

http://notaslivres.blogspot.com/2011/05/ps-uma-escola-so-para-si-e-outra-escola.html